Discursos midiáticos e estratégias de comunicação de comunidades rurais sob o agronegócio, o extrativismo e as mudanças climáticas em Moçambique


Resumo

O artigo aqui apresentado constitui o projeto de pesquisa “Os Discursos Midiáticos e as Estratégias de Comunicação Adotadas por Comunidades Rurais Afetadas pelo Agronegócio, pelo Extrativismo e pelas Mudanças Climáticas em Moçambique (2000-2023): Desafios e Oportunidades” apresentado ao Curso de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM), da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC), da Universidade Federal de Goiás (UFG), na linha de pesquisa: Mídia e Cultura, sob orientação da Professora Dra. Rosana Maria Ribeiro Borges.


Contexto e Problematização

Moçambique, país com vastos recursos naturais, experimenta uma complexa intersecção de transformações territoriais, onde o avanço do agronegócio, a intensificação do extrativismo e os impactos das mudanças climáticas geram profundas vulnerabilidades nas comunidades rurais. Esses fenômenos acarretam processos de expropriação de terras, degradação ambiental, insegurança alimentar e intensificação das desigualdades sociais.

Diante deste cenário de crises multifacetadas, a comunicação emerge como um elemento estratégico para que as comunidades rurais moçambicanas construam narrativas de resistência, articulem demandas e busquem alianças para a preservação de seus territórios e direitos. A pesquisa propõe-se a responder: De que forma as comunidades rurais de Moçambique, impactadas por estes desafios, constroem seus discursos e estratégias comunicativas para enfrentá-los?.

Discursos Midiáticos e as Estratégias de Comunicação Adotadas por Comunidades Rurais Afetadas pelo Agronegócio, pelo Extrativismo e pelas Mudanças Climáticas em Moçambique

Objetivo

O objetivo geral do estudo é analisar as estratégias de comunicação e os discursos construídos por comunidades rurais moçambicanas diante dos impactos do agronegócio, do extrativismo e das mudanças climáticas, explorando seus desafios e oportunidades no período de 2000 a 2023.

Busca-se, especificamente, mapear os repertórios comunicativos (incluindo narrativas orais, redes de solidariedade locais e mídias digitais), examinar os processos discursivos proativos que contestam narrativas hegemônicas, e avaliar o papel das mediações tecnológicas na ampliação das escalas de articulação e visibilidade das demandas.

Metodologia

A pesquisa adota uma abordagem qualitativa com dimensão construtivista (interpretativa). O método central é o etnográfico, que permitirá a imersão em três comunidades rurais moçambicanas, selecionadas nas regiões Sul, Centro e Norte do país, para garantir uma representatividade geográfica abrangente.

As técnicas de coleta de dados incluem entrevistas semiestruturadas, observação participante e pesquisa documental, que serão submetidas à análise de conteúdo para a identificação de padrões e temas discursivos. Teoricamente, o estudo se ancora nas Teorias Decoloniais, buscando valorizar os saberes locais e produzir conhecimento a partir de uma perspectiva do Sul Global.

Contribuições Esperadas

Espera-se que o estudo preencha lacunas no campo da Comunicação Comunitária, teorizando sobre sua interface com a resistência e transformação social no contexto moçambicano. A nível social, a pesquisa visa dar visibilidade às narrativas e às estratégias de resistência das comunidades, oferecendo subsídios informados para a formulação de políticas públicas mais inclusivas. Em última instância, busca-se contribuir para o fortalecimento da comunicação como um campo engajado com a justiça social e a sustentabilidade, evidenciando o potencial de agenciamento das comunidades na construção de realidades alternativas.

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